Aula aberta «O Público e o Privado nos Arquivos»

No dia 06/06/2019 a FESPSP promoveu uma aula aberta intitulada “O Público e o Privado nos Arquivos”, como parte da 3ª Semana Nacional de Arquivos, trabalho voluntário da instituição que tem como finalidade ampliar temas tratados em aulas e convidar o público externo para novos debates e ideias.

Com a participação de Fernando Padula – Diretor do Arquivo do Estado de São Paulo, Ubirajara Prestes – Coordenador do Arquivo da Câmara de São Paulo e Charlley Luz – Coordenador do Curso de Pós – Graduação em Gestão Arquivística da FESPSP.

Charlley Luz tratou de arquivos privados de interesse público, nos alertando para a falta de normatização para o tratamento de acervos de artistas, pesquisadores, arquivos científicos. Os arquivos empresariais e suas criações de centros de memória, que nem sempre tem um alcance para a população. E também a discussão sobre a MP 881/19 e suas consequências ao aprovar a destruição de documentos após sua digitalização, causando insegurança jurídica nos documentos privados.

Ubiraja Prestes trouxe sua experiência de 10 anos atuando no Arquivo da Câmara de São Paulo, os desafios na conservação do acervo físico que data do final do século XIX até a atualidade, e o esforço para a normatização do tratamento dos documentos nato digitais, desafio que todas as instituições estão enfrentando, pois as regras para acervos físicos já estão consolidadas e com os nato digitais cada local tem encontrado soluções próprias. Falou um pouco da difusão do acervo através da revista da Câmara que possui um editorial chamado Desarquivando, escolhendo um documento histórico para ser apresentado, além do site Centro de Memória CMSP que traz a trajetória da Câmara e documentos digitalizados que podem ser consultados.

Fernando Padula atual Diretor do Arquivo do Estado de São Paulo, falou um pouco sobre a particularidade do novo prédio, o primeiro construído para ser um arquivo, referência de construção para demais instituições com custódia de acervos. Trouxe dados sobre a importância da gestão documental, que impacta inclusive no orçamento da instituição, mostrando que o esforço para a construção de tabelas de temporalidade, classificação dos documentos é importante e eficaz. Falou da experiência do arquivo que é passada para que outras instituições possam tratar seus acervos, com o Mapa Paulista de Gestão Documental podemos saber em quais cidades a gestão vem sendo implantada e qual etapa está. Mostrou o novo acesso que o público pode ter no acervo bibliográfico e a hemeroteca da instituição.

Após as três falas o público presente participou com algumas perguntas, todas respondidas e ficando alguns questionamentos futuros sobre a difusão dos acervos, política para a criação de cursos na área de arquivos no estado de São Paulo, lacunas na legislação que trate de acervos de empresas.

A aula aberta nos mostra a importância de encontros como este, pois com a troca de informações ajuda a pensarmos em soluções para nossos locais de atuação, e pensarmos nas possibilidades da construção conjunta das políticas que ainda não foram criadas.