Rio de Janeiro

“É preciso que os arquivistas se dediquem a entender o momento político e a sua participação neste, como buscam aperfeiçoar-se tecnicamente”: Entrevista a Bia Kushnir, diretora geral do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (AGCRJ)

Entrevistamos Bia Kushnir para conhecer um pouco de sua trajetória e sua missão frente ao arquivo do município do Rio de Janeiro, mundialmente conhecido como um destino turístico, mas que tem muita história para contar. Como gestora, Bia nos conta seus desafios.

(Archivoz) Conte um pouco da sua trajetória de estudante de História à diretora geral do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro:

(Bia Kushnir) Optei pela graduação de História no bojo das campanhas pelas Diretas Já, em 1984. Havia retornado ao país depois de um Programa nos Kibbutz em Israel, onde no Museu do Holocausto percebi que queria trabalhar com o “passado”. Mas não sabia como. Fiquei em dúvida entre os cursos de história e comunicação, mas me achava muito tímida para as redações jornal. Em 1985, entrei para o curso de história da Universidade Federal Fluminense, onde me formei em 1989. Fui estagiária na casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, no setor de Pesquisa do CPDOC/FGV e na Memória da Eletricidade/Eletrobras. Sempre fui uma historiadora debruçada nos Arquivos. Meu mestrado foi história na UFF, defendido em 1994. Dois anos depois, quando publiquei a tese, já estava no doutorado da Universidade Estadual de Campinas, também nada de história. Minha tese de doutorado foi defendida em 2001 e publicada em 2004. Foi considerada o quinto melhor livro ciências humanas pelo Prêmio jabuti. Desde 1998, eu possuía um escritório de pesquisas históricas. Assim, em 2003 recebi o convite de Miguel Falabella, pra quem pesquisava para suas peças de teatro, o convite para ser sua assessora na secretaria municipal de cultura. No ano seguinte eu entregava a equipe que instituiu o memorial Getúlio Vargas.  Um ano depois no início do terceiro governo do prefeito Cesar Maia, fui convidada para assumir o arquivo geral da cidade

(Archivoz) Qual a situação hoje do arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro? Sabemos das limitações históricas de recursos em todo o Brasil, mas como vocês conseguem realizar suas atividades sem prejuízo para o trabalho técnico?

(BK) Estar a muito tempo a frente de uma instituição nos faz administrar tempos de bonança com tempo de adversidade. O Arquivo geral da cidade do Rio de Janeiro vem mantendo a sua missão junto ao Executivo municipal e pautado pela Lei 3404, de 2002. Assim as atividades regulares do arquivo e todos os extras, Que ao longo desses anos eu fui instituído com equipe, vem sendo executado.

(Archivoz) Durante todo esse tempo a frente da direção do arquivo  geral da cidade do Rio de Janeiro, quais iniciativas você tomou para que houvesse oxigenação e as coisas não ficassem limitadas aquisições estanques?

 (BK) É impossível, no dinamismo dos acontecimentos contemporâneos, qualquer estagnação em qualquer instituição pública do país e mesmo no mundo. As necessidades diárias fazem com que cada dia seja um novo desafio para instituir políticas públicas de gestão de documentos, ao mesmo tempo que é necessário cuidar de todo o acervo permanente e retroalimentar a equipe, fazendo com que ela se engaje cada vez mais. São tantos os desafios diários que é impossível estagnação.

(Archivoz) Fale de algum projeto que deixou saudade e nos conteúdos atuais de projetos do arquivo Geral? É possível fazer visitas ao acervo? Existe espaço expositivo?

(BK) Os projetos quando findam, não nos deixam saudades. Cumpriram seu papel, foram concluídos e possibilitaram que tivéssemos novas ideias. Temos um serviço de visitas guiadas, executados pela servidora Geórgia Tavares, e também espaço expositivos.

(Archivoz) Para finalizar: qual o caminho da arquivologia brasileira hoje?

(BK) No meu ponto de vista, o caminho da arquivologia brasileira hoje é aprender fortemente com o realizado pela geração de 1980. O professor José Maria jardim, numa palestra em Brasília no mês passado, comentou que aquela década economicamente para o país, foi perdida, mas para arquivologia foi uma das de maior desenvolvimento. É preciso que os arquivistas se dediquem a entender o momento político e a sua participação neste, como buscam aperfeiçoar-se tecnicamente. Sem uma atuação da comunidade no momento em que vivemos, muitas conquistas serão perdidas em instantes.